Sem dúvida. Os Profetas de Israel anunciaram, durante dois milênios, que Deus lhes revelara a vinda de Jesus, do Messias, a salvar o mundo.
Deus prometeu um Redentor ao primeiro homem, Adão (Gn 3.15).
Ele seria da linhagem de Sem (Gn 9.26), de Abraão (Gn 22.18), de Isaque (Gn 26.4), de Jacó (Gn 28.14; Nm 24.17), da tribo de Judá (Gn 49.8-10, Conf. Hb 7.14), e da família de David (Is 49.8-10, Conf. Rm 7.3; 2 Tm 2.8).
Moises diz que Ele será um grande Profeta (Dt 18.18).
Isaias, que a sua vinda será precedida de paz universal (Is 2.4).
Malaquias fala-nos do seu Precursor (Ml 3.1).
Nascerá de uma Virgem (Is 7.14), na cidade de Belém (Mq 5.2), antes da completa sujeição de Israel da destruição do segundo Templo (Gn 49.10; Dn 24.27).
Os Profetas chamam-Lhe Senhor (Sl 2.2), Jesus ou Salvador (Is 2.5; Hab 3.8).
Deus poderoso (Is 9.6), Emanuel ou Deus Conosco (Is 7.14), Pai do século futuro, Principe de Paz (Is 9.6).
Falam-nos de sua pobreza (Sl 86.16), obediência, mansidão (Sl 39.9; 119.7), de sua pregação pública (Is 9.1-2; Conf. Mt 4.15), de seus milagres (Is 35.5-6), e do reino universal e eterno, que viria fundar (Sl 44.7-8; 2.7-8).
Dizem-nos que Cristo seria pedra de escândalo e ocasião de ruína para muitos (Is 8.14, Conf. Lc 2.34); que seria vendido por 30 dinheiros de prata (Zc 11.12); que seria levado como um cordeiro ao matadouro (Is 53.8); que seria crucificado (Zc 13.6); escarnecido pelo povo (Jr 20.6; Sl 21.8, Conf. Mt 27.34); que os soldados haviam de lançar sortes sobre seus vestidos (Sl 31.19; Conf. Mt 27.35); que Lhe haviam de dar a beber vinagre (Sl 68.22; Conf. Mt 27.34); que o seu sepulcro seria glorioso (Is 11.10); que o seu corpo não veria a corrupção (Sl 15.10) e de lá derramará o seu Espírito sobre toda a carne (Joel 2.28).
À luz do Testamento, muitas destas profecias demonstram que Cristo era Deus.
Jó identifica o Messias com Deus: "Eu sei que o meu redentor vive, e que eu no derradeiro dia surgirei da terra... E na minha própria carne verei a meu Deus" (Jó 19.25-26).
Os salmos, livro dos hinos sublimes de Israel declaram que o Messias é Deus eterno, cujo reino durará para sempre:
"Tu és meu Filho, eu te gerei hoje" (Sl 2.7; Conf. At 13.33; Hb 1.5). "O teu trono subsistirá por todos os séculos... Deus, o teu Deus ungiu-te" (Sl. 44.7-8; Conf. Hb 1.8).
Jesus Cristo era "A esperança de Israel, o seu Salvador", como predisse o profeta Jeremias (Jr 14.8) o "Consolador de Israel", tão ansiosamente esperado pelo velho Simeão (Lc 2.25).
O próprio Jesus Cristo apelou sempre para o cumprimento das profecias que Lhe respeitavam. Dizia: "Examinai as Escrituras... Elas mesmas são as que dão testemunho de mim" (Jo 5.39).
Expondo Isaías (Is 61.1) na Sinagoga de Nazaré, declarou: "Hoje cumpriu-se esta escritura nos vossos ouvidos" (Lc 4.21)
Quando a mulher de Samaria Lhe disse: "Eu sei que está a chegar o Messias", disse-lhe Jesus: "Sou eu mesmo, que falo contigo" (Jo 4.25.26).
Quando os discípulos no caminho para Emaús o não reconheceram, Ele "começando por Moisés, e discorrendo por todos os outros profetas, lhes explicava o que se achava dito dEle em todas as escrituras" (Lc 24.27)
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
O PODER DA ORAÇÃO - Autor: Padre Mustafa
Conta-se que uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no
rosto, entrou num armazém, se aproximou do proprietário, conhecido pelo seu
jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos. Ela explicou que o
seu marido estava muito doente e não podia trabalhar e que tinha sete filhos
para alimentar.
O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu
estabelecimento. Pensando na necessidade da sua família ela implorou:
- Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu tiver...
Mas o homem lhe respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua
loja.
Em pé, no balcão ao lado, um freguês que assistia a conversa entre os
dois, se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que
aquela mulher necessitava para a sua família por sua conta. Então o
comerciante falou meio relutante para a pobre mulher:
- Você tem uma lista de mantimentos?
- Sim, respondeu ela.
- Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe
darei em mantimentos.
A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou
da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente
na balança.
Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e
permaneceu embaixo.
Completamente admirado com o marcador da balança, o comerciante virou-se
lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:
- Eu não posso acreditar!
O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro
prato da balança. Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou
colocando mais e mais mantimentos até não caber mais nada. O comerciante
ficou parado por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o
que havia acontecido... Finalmente, pegou o pedaço de papel da balança e
ficou espantado pois não era uma lista de compras e sim uma oração com os
seguintes dizeres:
- Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou
deixando isto em Suas mãos...
O homem deu as mercadorias para a pobre mulher no mais completo
silêncio. Ela agradeceu e foi embora.
O freguês pagou a conta e disse: - Valeu cada centavo...
E só mais tarde o comerciante pôde reparar que a balança havia quebrado,
naquele momento ele entendeu que só Deus sabe o quanto pesa uma prece...
Muitos de nós temos esquecido do poder da oração nos momentos de
dificuldades e nos de alegria.
Geralmente o que fazemos é lamentar a situação e duvidar do amparo
divino.
No entanto, Jesus, o Mestre por excelência, buscava elevar o pensamento
ao Pai, em muitos momentos de Sua existência na Terra. E várias vezes para
rogar pela humanidade inteira.
A prece deveria ser nossa primeira atitude nas horas difíceis e também
nos momentos de felicidade. Na dificuldade para rogar forças e discernimento
e na alegria para agradecer. Afinal, a oração é a porta que abrimos para nos
comunicar com as forças superiores que, em última instância, vêm do Criador
do universo.
A oração tem o peso que a nossa emoção lhe dá. Somente a prece
impulsionada pelo sentimento e pela verdadeira fé, alcançam o seu objetivo.
Postado por: Bruno Souza Nogueira, em: 23/06/2008.
Fonte: desconhecida!
rosto, entrou num armazém, se aproximou do proprietário, conhecido pelo seu
jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos. Ela explicou que o
seu marido estava muito doente e não podia trabalhar e que tinha sete filhos
para alimentar.
O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu
estabelecimento. Pensando na necessidade da sua família ela implorou:
- Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu tiver...
Mas o homem lhe respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua
loja.
Em pé, no balcão ao lado, um freguês que assistia a conversa entre os
dois, se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que
aquela mulher necessitava para a sua família por sua conta. Então o
comerciante falou meio relutante para a pobre mulher:
- Você tem uma lista de mantimentos?
- Sim, respondeu ela.
- Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe
darei em mantimentos.
A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou
da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente
na balança.
Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e
permaneceu embaixo.
Completamente admirado com o marcador da balança, o comerciante virou-se
lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:
- Eu não posso acreditar!
O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro
prato da balança. Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou
colocando mais e mais mantimentos até não caber mais nada. O comerciante
ficou parado por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o
que havia acontecido... Finalmente, pegou o pedaço de papel da balança e
ficou espantado pois não era uma lista de compras e sim uma oração com os
seguintes dizeres:
- Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou
deixando isto em Suas mãos...
O homem deu as mercadorias para a pobre mulher no mais completo
silêncio. Ela agradeceu e foi embora.
O freguês pagou a conta e disse: - Valeu cada centavo...
E só mais tarde o comerciante pôde reparar que a balança havia quebrado,
naquele momento ele entendeu que só Deus sabe o quanto pesa uma prece...
Muitos de nós temos esquecido do poder da oração nos momentos de
dificuldades e nos de alegria.
Geralmente o que fazemos é lamentar a situação e duvidar do amparo
divino.
No entanto, Jesus, o Mestre por excelência, buscava elevar o pensamento
ao Pai, em muitos momentos de Sua existência na Terra. E várias vezes para
rogar pela humanidade inteira.
A prece deveria ser nossa primeira atitude nas horas difíceis e também
nos momentos de felicidade. Na dificuldade para rogar forças e discernimento
e na alegria para agradecer. Afinal, a oração é a porta que abrimos para nos
comunicar com as forças superiores que, em última instância, vêm do Criador
do universo.
A oração tem o peso que a nossa emoção lhe dá. Somente a prece
impulsionada pelo sentimento e pela verdadeira fé, alcançam o seu objetivo.
Postado por: Bruno Souza Nogueira, em: 23/06/2008.
Fonte: desconhecida!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Sobre as Ordens Religiosas: O que são?
É certo que a Bíblia não faz menção de Ordens Religiosas; mas as ideias e princípios que motivaram a sua fundação foram evidentemente tirados da vida e doutrina de Cristo: da vida, cuja perfeição desejam imitar. da doutrina, que pretendem de perto seguir.
A grande maioria dos cristãos contenta-se com observar os Dez Mandamentos da lei do Senhor e os cinco da Igreja; mas houve sempre, e há ainda, um bom número de almas generosas que desejam obrigar-se a cumprir também os "Conselhos" de perfeição, tão altamente recomendados por Jesus Cristo:
"Sede perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito" (Mt 5, 48)
E apontou a Seus discípulos dois conselhos especiais de perfeição: castidade e pobreza: "Os que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus" (Mt 19, 12) e "Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá-lo aos pobres, e terá um tesouro nos Céus; depois vem e segue-me" (Mt 19, 21).
As Ordens Religiosas não são essenciais ao Cristianismo, porque o Papa Clemente XIV suprimiu a Companhia de Jesus em 1773, sem que por isso a Igreja deixasse de existir, com toda a sua divina doutrina, leis e culto.
Mas as Ordens Religiosas são frutos da Árvore plantada por Deus.
Homens e mulheres congregam-se, a divino chamamento, e obrigaram-se voluntária e espontâneamente a viver obedecendo a uma Regra aprovada pela Igreja, que os auxilia a amar mais perfeitamente a Deus e ao próximo por amor do mesmo Deus.
O texto citado não vem a pêlo.
O que Nosso Senhor quis dizer a Seus discípulos, com as referidas palavras, foi simplesmente que a melhor prova da verdade do Evangelho é a vida santa dos cristãos.
Os inumeráveis santos e santas das Ordens Religiosas têm iluminado com claridade de suas obras a escuridão do mundo do pecado, e assim glorificado o Pai que está nos Céus.
A grande maioria dos cristãos contenta-se com observar os Dez Mandamentos da lei do Senhor e os cinco da Igreja; mas houve sempre, e há ainda, um bom número de almas generosas que desejam obrigar-se a cumprir também os "Conselhos" de perfeição, tão altamente recomendados por Jesus Cristo:
"Sede perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito" (Mt 5, 48)
E apontou a Seus discípulos dois conselhos especiais de perfeição: castidade e pobreza: "Os que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus" (Mt 19, 12) e "Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá-lo aos pobres, e terá um tesouro nos Céus; depois vem e segue-me" (Mt 19, 21).
As Ordens Religiosas não são essenciais ao Cristianismo, porque o Papa Clemente XIV suprimiu a Companhia de Jesus em 1773, sem que por isso a Igreja deixasse de existir, com toda a sua divina doutrina, leis e culto.
Mas as Ordens Religiosas são frutos da Árvore plantada por Deus.
Homens e mulheres congregam-se, a divino chamamento, e obrigaram-se voluntária e espontâneamente a viver obedecendo a uma Regra aprovada pela Igreja, que os auxilia a amar mais perfeitamente a Deus e ao próximo por amor do mesmo Deus.
O texto citado não vem a pêlo.
O que Nosso Senhor quis dizer a Seus discípulos, com as referidas palavras, foi simplesmente que a melhor prova da verdade do Evangelho é a vida santa dos cristãos.
Os inumeráveis santos e santas das Ordens Religiosas têm iluminado com claridade de suas obras a escuridão do mundo do pecado, e assim glorificado o Pai que está nos Céus.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
CONSTANTINO MANIPULOU O CONCÍLIO DE NICÉIA?
Por Guillermo Juan Morado
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte: http://www.arvo.net
Embora "O Código da Vinci", recordista de vendas, careça de qualquer credibilidade histórica e toda crítica neste sentido resulte supérflua - como bem advertiu De Prada - eis aqui exemplo entre mil: Guillermo Juan Morado nos escreve abordando se "Constantino manipulou o Concílio de Nicéia". Esta é a sua resposta:
Diante da heresia de Ário, que negava a verdadeira divindade de Jesus Cristo, o Concílio de Nicéia (325) fixou a ortodoxia cristã, definindo que o Filho é "consubstancial" ao Pai ("homoousios"). Uma palavra não-bíblica, "consubstancial", é então introduzida no Credo para defender, em termos novos, a peculiaridade da fé cristã, professada desde as origens: Jesus Cristo é o Filho encarnado, da mesma substância do Pai, unido essencialmente ao Pai. Não é uma criatura, nem uma espécie de ser intermediário entre Deus e os seres criados, mas "Deus de Deus, Luz da Luz". Seremos salvos apenas se Jesus Cristo for verdadeiro Deus.
A confissão de fé não é alterada em absoluto, mas explicitada para fazer frente a explicações teóricas equivocadas que, com o pretexto de assimilar o Cristianismo à cultura helenista, acabavam por trair a herança apostólica.
O Concílio de Nicéia ocorre em um momento particularmente significativo, por estar tratando da instauração de um sistema de Igreja imperial. Um teólogo notável como Eusébio de Cesaréia se sentia fascinado pela idéia da convergência, nos planos de Deus, entre o Cristianismo e o Império. A Providência teria guiado os destinos da História para fazer coincidir a aparição do Messias com a paz imperial, a monarquia celeste com a monarquia romana.
O imperador Constantino personificava, aos olhos de Eusébio, essa feliz coincidência. Seu papel não era apenas político, mas também religioso. Fará falta esperar o gênio de Santo Agostinho para se apresentar a adequada distância entre a cidade terrestre e a Cidade de Deus.
Na obra "Vita Constantini", Eusébio de Cesaréia exagera o papel desempenhado pelo Imperador nos concílios e, sobretudo, no Concílio de Nicéia. Atribui ao imperador a tarefa de abrir os debates, reconciliar os adversários, convencer a uns e submeter a outros, instando todos à concórdia. Constantino, segundo a imagem que dele nos oferece Eusébio, parece impor-se, inclusive em questões doutrinárias, sobre os bispos reunidos no Concílio.
Esta visão seria real? Poderia sustentar-se, com argumentos, a idéia de que Constantino manipulou o Concílio de Nicéia, impondo a todos os bispos a doutrina do "homoousios", objetivando garantir a unidade religiosa do Império?
A realidade se distancia desta imagem traçada por Eusébio. É verdade que o Imperador defendeu a relação entre a Igreja e o Império, entre o bem do Estado e o bem da Igreja; porém, a sua participação no Concílio de Nicéia, embora destacada, foi muito menos importante do que Eusébio de Cesaréia nos faz acreditar.
O pesquisador J.M.Sansterre, em sua obra "Eusébio de Cesaréia e o Nascimento da Teoria Cesaropapista", investigou criticamente 14 textos que procedem do imperador, datados entre 325 e 335. Da análise desta documentação, extraiu importantes conclusões, decisivas para desmontar historicamente a construção de Eusébio.
Constantino convocou o Concílio de Nicéia com a finalidade de fomentar a unidade e eliminar a heresia. Sentiu-se obrigado a velar pelas resoluções dogmáticas e disciplinares, porém jamais aspirou suplantar os bispos. Entendia a intervenção imperial como meramente subsidiária, visto que a norma final em questões doutrinárias teria que ser - como de fato o foi - as tradições, os cânons eclesiásticos e a assistência do Espírito Santo aos bispos. Apenas se os bispos não conseguissem fazer cumprir as decisões conciliares é que o imperador estava disposto a intervir para aplicá-las; jamais para impô-las por ele mesmo.
Constantino não reclama para si, em questões de fé, uma supremacia sobre o Concílio, prerrogativa que, junto com outras, está disposto a reconhecer Eusébio, que converte o imperador em algo mais que um guardião da Igreja, enxergando nele o supremo cume religioso do mundo visível.
A análise dos documentos imperiais de 325 a 335 prova, portanto, de modo conclusivo, que o imperador não influenciou o Credo de Nicéia. Porém, além disso, igual conclusão se deduz do estudo da Cristologia de Constantino, a qual é possível identificar em uma de suas cartas. O imperador carecia da preparação teológica necessária para dominar os problemas abordados em Nicéia. Sua Cristologia é decididamente pré-nicena, como muito bem explicou Alois Grillmeier em seu importante estudo "Cristo na Tradição Cristã".
Bem além de visões precipitadas, sejam polêmicas ou apologéticas, o estudo sério das fontes se apresente, também neste caso, como o único recurso para reconstruir de modo confiável o passado.
Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).
Para citar este artigo:
MORADO, Guillermo Juan. Apostolado Veritatis Splendor: CONSTANTINO MANIPULOU O CONCÍLIO DE NICÉIA?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5970. Desde 03/11/2009.
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte: http://www.arvo.net
Embora "O Código da Vinci", recordista de vendas, careça de qualquer credibilidade histórica e toda crítica neste sentido resulte supérflua - como bem advertiu De Prada - eis aqui exemplo entre mil: Guillermo Juan Morado nos escreve abordando se "Constantino manipulou o Concílio de Nicéia". Esta é a sua resposta:
Diante da heresia de Ário, que negava a verdadeira divindade de Jesus Cristo, o Concílio de Nicéia (325) fixou a ortodoxia cristã, definindo que o Filho é "consubstancial" ao Pai ("homoousios"). Uma palavra não-bíblica, "consubstancial", é então introduzida no Credo para defender, em termos novos, a peculiaridade da fé cristã, professada desde as origens: Jesus Cristo é o Filho encarnado, da mesma substância do Pai, unido essencialmente ao Pai. Não é uma criatura, nem uma espécie de ser intermediário entre Deus e os seres criados, mas "Deus de Deus, Luz da Luz". Seremos salvos apenas se Jesus Cristo for verdadeiro Deus.
A confissão de fé não é alterada em absoluto, mas explicitada para fazer frente a explicações teóricas equivocadas que, com o pretexto de assimilar o Cristianismo à cultura helenista, acabavam por trair a herança apostólica.
O Concílio de Nicéia ocorre em um momento particularmente significativo, por estar tratando da instauração de um sistema de Igreja imperial. Um teólogo notável como Eusébio de Cesaréia se sentia fascinado pela idéia da convergência, nos planos de Deus, entre o Cristianismo e o Império. A Providência teria guiado os destinos da História para fazer coincidir a aparição do Messias com a paz imperial, a monarquia celeste com a monarquia romana.
O imperador Constantino personificava, aos olhos de Eusébio, essa feliz coincidência. Seu papel não era apenas político, mas também religioso. Fará falta esperar o gênio de Santo Agostinho para se apresentar a adequada distância entre a cidade terrestre e a Cidade de Deus.
Na obra "Vita Constantini", Eusébio de Cesaréia exagera o papel desempenhado pelo Imperador nos concílios e, sobretudo, no Concílio de Nicéia. Atribui ao imperador a tarefa de abrir os debates, reconciliar os adversários, convencer a uns e submeter a outros, instando todos à concórdia. Constantino, segundo a imagem que dele nos oferece Eusébio, parece impor-se, inclusive em questões doutrinárias, sobre os bispos reunidos no Concílio.
Esta visão seria real? Poderia sustentar-se, com argumentos, a idéia de que Constantino manipulou o Concílio de Nicéia, impondo a todos os bispos a doutrina do "homoousios", objetivando garantir a unidade religiosa do Império?
A realidade se distancia desta imagem traçada por Eusébio. É verdade que o Imperador defendeu a relação entre a Igreja e o Império, entre o bem do Estado e o bem da Igreja; porém, a sua participação no Concílio de Nicéia, embora destacada, foi muito menos importante do que Eusébio de Cesaréia nos faz acreditar.
O pesquisador J.M.Sansterre, em sua obra "Eusébio de Cesaréia e o Nascimento da Teoria Cesaropapista", investigou criticamente 14 textos que procedem do imperador, datados entre 325 e 335. Da análise desta documentação, extraiu importantes conclusões, decisivas para desmontar historicamente a construção de Eusébio.
Constantino convocou o Concílio de Nicéia com a finalidade de fomentar a unidade e eliminar a heresia. Sentiu-se obrigado a velar pelas resoluções dogmáticas e disciplinares, porém jamais aspirou suplantar os bispos. Entendia a intervenção imperial como meramente subsidiária, visto que a norma final em questões doutrinárias teria que ser - como de fato o foi - as tradições, os cânons eclesiásticos e a assistência do Espírito Santo aos bispos. Apenas se os bispos não conseguissem fazer cumprir as decisões conciliares é que o imperador estava disposto a intervir para aplicá-las; jamais para impô-las por ele mesmo.
Constantino não reclama para si, em questões de fé, uma supremacia sobre o Concílio, prerrogativa que, junto com outras, está disposto a reconhecer Eusébio, que converte o imperador em algo mais que um guardião da Igreja, enxergando nele o supremo cume religioso do mundo visível.
A análise dos documentos imperiais de 325 a 335 prova, portanto, de modo conclusivo, que o imperador não influenciou o Credo de Nicéia. Porém, além disso, igual conclusão se deduz do estudo da Cristologia de Constantino, a qual é possível identificar em uma de suas cartas. O imperador carecia da preparação teológica necessária para dominar os problemas abordados em Nicéia. Sua Cristologia é decididamente pré-nicena, como muito bem explicou Alois Grillmeier em seu importante estudo "Cristo na Tradição Cristã".
Bem além de visões precipitadas, sejam polêmicas ou apologéticas, o estudo sério das fontes se apresente, também neste caso, como o único recurso para reconstruir de modo confiável o passado.
Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).
Para citar este artigo:
MORADO, Guillermo Juan. Apostolado Veritatis Splendor: CONSTANTINO MANIPULOU O CONCÍLIO DE NICÉIA?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5970. Desde 03/11/2009.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Muito cuidado com as "Essências"...
Doutrina: O termo doutrina pode ser definido como o conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso, político, filosófico, científico, entre outros.
Hoje, vou falar sobre um tipo quase desconhecido, ensinado por muito pouca gente, se concentrando basicamente na área do ocultismo. Vou falar sobre as essências.
O que são essências?
Essências seriam, basicamente, outros seres, espíritos, energias... Ou, dependendo de quem ensine, reencarnações de outros seres e pessoas que já, em tese, teriam existido, e que agora fazem parte de nossas vidas, podendo nos usar, e vice-versa quando quiser-mos (ou quando eles quiserem também).
Podem ser, literalmente, qualquer coisa (eu disse QUALQUER COISA), geralmente inspirados em seres de jogos de RPG (por favor, não estou dizendo que o jogo ajuda nisso, só estou dizendo que ele são inspirados, copiados destes jogos, nada além!), como por exemplo: Elfos, Hobbits, Árvores, Orcs... Lendas, como vampiros, lycans (ou lobisomens se preferir)... E até mesmo chegando a escala divina, como deuses, anjos, demonios, etc.
Como é ensinado? As discordâncias do assunto
Basicamente, cada "mestre" (termo usado para altos graus dentro do ocultismo, simbolizando pessoas que dominam com perfeição todos os segredos do assunto), ensina a sua maneira, como explicado acima, dizendo ser, ou uma energia, ou uma outra vida, entre tantas outras explicações...
É dito também, que cada essência, ao mesmo tempo em que é outra pessoa, é a mesma pessoa a qual "habita" o corpo da pessoa que, em tese, seria "dona" da essência. Ou seja, ao mesmo tempo que você pode fazer alguma coisa, "sendo", "usando" aquela essência, você é, ao mesmo tempo, "usado" pela mesma em algum momento.
Quanto a existência de essências, ainda há uma dúvida nisso, uma inexatidão tremenda: Para alguns, existe um número limite de 48 delas em todas as pessoas. Para outros, esse limite varia de pessoa para pessoa, até o limite citado, ou ainda, pode não haver limite algum, com o mesmo tipo de variação.
Além de tudo, sempre há algo novo que se aprende sobre elas, o tempo todo, como se fosse uma gnose eterna e disfarçada com outro nome! A toda instante você aprende, crendo que tais ensinamentos são deles, por causa das "vozes" de suas essências falando no vácuo de sua mente.
Ninguém, em tese, pode ter a mesma essência. Porém, cada vez que se toca no assunto, vez ou outra, duas coisas acontecem: Ou a pessoa não tem a essência que (mais uma vez em tese) diz ter, ou duas ou mais pessoas dizem te-la.
Em minhas pesquisas, vi três pessoas reclamando para si mesmas a "PROPRIEDADE" da antiga deusa suméria dos mortos, Ereshikgal, também reconhecida tradicionalmente como Lilith, senhora dos demônios, Rainha dos Infernos e esposa de Lucifer, o Pai da Mentira.
Ambas tentaram provar "incorporando" a dita essência, e atuando, agindo como se fosse a própria.
Esse fato vem nos mostrar também, como de fato quase sempre acontece, que todos os donos de essências tem as mais fortes e poderosas forças ao seu lado, ou dentro de si, como os citados acima, ao início do artigo.
Como explicar tudo isso?
Como podemos ver, os próprios problemas da matéria já denunciam a própria. Basicamente, os que já conhecem do assunto podem possuir: Dragões, Elfos, Anjos, Demonios, Vampiros, Lycans, personagens históricos, personagens "divinos" em geral.
O que também me chamou a atenção, foi que muitos dos ditos "anjos" aqui citados possuem um sério desvio pervertido e anti-natural, levando ao homo ou ao bissexualismo. Assim sendo, podemos dizer que, se são anjos, com certeza são do tipo Caidos, ou seja, que não cumprem a vontade de Deus. Como Nosso Senhor Jesus Cristo disse: No céu não existem relações carnais sequer entre santos e santas, o que dirá entre anjos... Como dito por Cristo, o próprio "... os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu". (Mt 22,30)
Os que acreditam que seja reencarnação, usam como desculpa a chamada "Memória Genética", observada por alguns cientistas americanos, em estudos, que as pessoas, de uma maneira geral, possuem memórias de entes e pessoas de suas próprias famílias, que foram passadas de geração em geração. Isto já fora explicado que não configura o ato de reencarnação, já que não há a ação da pessoa morta, mas, apenas a memória se encontra nas células, explicando desta forma os chamados "De Javú", mas, isto é assunto para outra ocasião.
Espirítualmente falando, não passa de uma abertura (e das grandes) para uma futura possessão diabólica do corpo, de forma voluntária. Através dessas vozes, e também de sentimentos, confusões mentais, falsas impressões, estímulos corpóreos e além, chegando ao cúmulo de perverções e desejos anti-naturais, como o homo ou o bissexualismo deliberado, podemos dizer que, psicologicamente falando, não passariam de diversos "alter egos" usados como desculpa para a realização de tais atos.
Não podemos nos esquecer também que os demônios, ao infestar um corpo, ou um lugar, pode se utilizar diversas outras formas, ou imagens na mente da pessoa, para faze-la acreditar que, de fato, é aquele ser. Assim sendo, já podemos deduzir que elas não passam de influencias demoniacas, tentações do Inimigo, e realizadas com esta mascara.
Tudo isso mostra o quão prejudicial tal assunto pode ser para o receptor, podendo levar a casos graves, desde distúrbios psicológicos, até o risco de possessão grave por uma legião de demônios.
Portanto meus amigos, se afastem de tais ensinamentos, pois de modo algum levam a verdade. Como ensinou Santo Agostinho, "a alma de uma pessoa é una, como seu corpo e sua mente o são!"
Que Deus esteja com todos vocês!
Até a próxima postagem.
Hoje, vou falar sobre um tipo quase desconhecido, ensinado por muito pouca gente, se concentrando basicamente na área do ocultismo. Vou falar sobre as essências.
O que são essências?
Essências seriam, basicamente, outros seres, espíritos, energias... Ou, dependendo de quem ensine, reencarnações de outros seres e pessoas que já, em tese, teriam existido, e que agora fazem parte de nossas vidas, podendo nos usar, e vice-versa quando quiser-mos (ou quando eles quiserem também).
Podem ser, literalmente, qualquer coisa (eu disse QUALQUER COISA), geralmente inspirados em seres de jogos de RPG (por favor, não estou dizendo que o jogo ajuda nisso, só estou dizendo que ele são inspirados, copiados destes jogos, nada além!), como por exemplo: Elfos, Hobbits, Árvores, Orcs... Lendas, como vampiros, lycans (ou lobisomens se preferir)... E até mesmo chegando a escala divina, como deuses, anjos, demonios, etc.
Como é ensinado? As discordâncias do assunto
Basicamente, cada "mestre" (termo usado para altos graus dentro do ocultismo, simbolizando pessoas que dominam com perfeição todos os segredos do assunto), ensina a sua maneira, como explicado acima, dizendo ser, ou uma energia, ou uma outra vida, entre tantas outras explicações...
É dito também, que cada essência, ao mesmo tempo em que é outra pessoa, é a mesma pessoa a qual "habita" o corpo da pessoa que, em tese, seria "dona" da essência. Ou seja, ao mesmo tempo que você pode fazer alguma coisa, "sendo", "usando" aquela essência, você é, ao mesmo tempo, "usado" pela mesma em algum momento.
Quanto a existência de essências, ainda há uma dúvida nisso, uma inexatidão tremenda: Para alguns, existe um número limite de 48 delas em todas as pessoas. Para outros, esse limite varia de pessoa para pessoa, até o limite citado, ou ainda, pode não haver limite algum, com o mesmo tipo de variação.
Além de tudo, sempre há algo novo que se aprende sobre elas, o tempo todo, como se fosse uma gnose eterna e disfarçada com outro nome! A toda instante você aprende, crendo que tais ensinamentos são deles, por causa das "vozes" de suas essências falando no vácuo de sua mente.
Ninguém, em tese, pode ter a mesma essência. Porém, cada vez que se toca no assunto, vez ou outra, duas coisas acontecem: Ou a pessoa não tem a essência que (mais uma vez em tese) diz ter, ou duas ou mais pessoas dizem te-la.
Em minhas pesquisas, vi três pessoas reclamando para si mesmas a "PROPRIEDADE" da antiga deusa suméria dos mortos, Ereshikgal, também reconhecida tradicionalmente como Lilith, senhora dos demônios, Rainha dos Infernos e esposa de Lucifer, o Pai da Mentira.
Ambas tentaram provar "incorporando" a dita essência, e atuando, agindo como se fosse a própria.
Esse fato vem nos mostrar também, como de fato quase sempre acontece, que todos os donos de essências tem as mais fortes e poderosas forças ao seu lado, ou dentro de si, como os citados acima, ao início do artigo.
Como explicar tudo isso?
Como podemos ver, os próprios problemas da matéria já denunciam a própria. Basicamente, os que já conhecem do assunto podem possuir: Dragões, Elfos, Anjos, Demonios, Vampiros, Lycans, personagens históricos, personagens "divinos" em geral.
O que também me chamou a atenção, foi que muitos dos ditos "anjos" aqui citados possuem um sério desvio pervertido e anti-natural, levando ao homo ou ao bissexualismo. Assim sendo, podemos dizer que, se são anjos, com certeza são do tipo Caidos, ou seja, que não cumprem a vontade de Deus. Como Nosso Senhor Jesus Cristo disse: No céu não existem relações carnais sequer entre santos e santas, o que dirá entre anjos... Como dito por Cristo, o próprio "... os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu". (Mt 22,30)
Os que acreditam que seja reencarnação, usam como desculpa a chamada "Memória Genética", observada por alguns cientistas americanos, em estudos, que as pessoas, de uma maneira geral, possuem memórias de entes e pessoas de suas próprias famílias, que foram passadas de geração em geração. Isto já fora explicado que não configura o ato de reencarnação, já que não há a ação da pessoa morta, mas, apenas a memória se encontra nas células, explicando desta forma os chamados "De Javú", mas, isto é assunto para outra ocasião.
Espirítualmente falando, não passa de uma abertura (e das grandes) para uma futura possessão diabólica do corpo, de forma voluntária. Através dessas vozes, e também de sentimentos, confusões mentais, falsas impressões, estímulos corpóreos e além, chegando ao cúmulo de perverções e desejos anti-naturais, como o homo ou o bissexualismo deliberado, podemos dizer que, psicologicamente falando, não passariam de diversos "alter egos" usados como desculpa para a realização de tais atos.
Não podemos nos esquecer também que os demônios, ao infestar um corpo, ou um lugar, pode se utilizar diversas outras formas, ou imagens na mente da pessoa, para faze-la acreditar que, de fato, é aquele ser. Assim sendo, já podemos deduzir que elas não passam de influencias demoniacas, tentações do Inimigo, e realizadas com esta mascara.
Tudo isso mostra o quão prejudicial tal assunto pode ser para o receptor, podendo levar a casos graves, desde distúrbios psicológicos, até o risco de possessão grave por uma legião de demônios.
Portanto meus amigos, se afastem de tais ensinamentos, pois de modo algum levam a verdade. Como ensinou Santo Agostinho, "a alma de uma pessoa é una, como seu corpo e sua mente o são!"
Que Deus esteja com todos vocês!
Até a próxima postagem.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A Inquisição Protestante
Por Fátima Apologética
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte: http://www.fatima-apologetica.org/
Um ponto normalmente omitido é que os Protestantes também empreenderam uma Inquisição totalmente submissa ao Poder Político da época. Os historiadores geralmente se referem apenas à inquisição católica e se silenciam hipocritamente sobre os eventos ocorridos nos territórios protestantes.
Os primeiros protestantes não eram distinguidos por serem os "campeões da liberdade de opinião" como querem nos fazer crer.
Eles, que clamavam pela liberdade religiosa nos países católicos, em seus territórios suspendiam rapidamente a celebração da Missa e obrigavam os cidadãos, por lei, a assistir obrigatoriamente os cultos reformados; também destruíam os templos católicos e as imagens [sagradas], além de assassinarem bispos, sacerdotes e religiosos; foram muito mais radicais em seus territórios do que ocorreu nos territórios católicos.
Citaremos apenas alguns exemplos (já que [quase] todas as fontes pesquisadas apenas se referem à inquisição católica e nenhuma a [inquisição] protestante):
- Registre-se o massacre dos monges da Abadia de São Bernardo de Brémen, no séc. XVI: os monges foram assassinados ou desfolados, atirando-lhes sal na carne viva, sendo a seguir pendurados no campanário por bandos protestantes.
- Seis monges cartuxos e o bispo de Rochester, na Inglaterra protestante, foram enforcados em 1535.
- Henrique VIII mandou queimar milhares de católicos e anabatistas no séc. XVI (mas foi sua filha católica, Maria, que acabou recebendo o título de "Maria, a sanguinária"!).
- João Servet, o descobridor da circulação do sangue, foi queimado em Genebra, por ordem de Calvino (porém, é comum se recordar apenas do "caso Galileu", o qual NÃO foi justiçado!).
- Quando Henrique VIII iniciou a perseguição protestante contra os católicos, existiam mais de 1.000 (mil) monges dominicanos na Irlanda, dos quais apenas 02 (DOIS) sobreviveram à perseguição.
- Na época da imperadora protestante Isabel, cerca de 800 (oitocentos) católicos eram assassinados por ano.
- O historiador protestante Henry Hallam afirma: "A tortura e a execução dos jesuítas no reinado de Isabel Tudor foram caracterizadas pela selvageria e o dano [físico]".
- Um ato do Parlamento inglês decretou, em 1652, que: "Cada sacerdote romano deve ser pendurado, decapitado e esquartejado; a seguir, deve ser queimado e sua cabeça exposta em um poste em local público".
- Na Alemanha luterana, os anabatistas eram cozidos em sacos e atirados nos rios.
- Na Escócia presbiteriana de John Fox, durante um período de seis anos, foram queimadas mais de 1.000 (mil) mulheres acusadas de feitiçaria.
- Nas cidades conquistadas pelo "Protestantismo", os católicos tinham que abandoná-las, deixando nelas todas as suas posses ou então converter-se ao Protestantismo; se fossem descobertos celebrando a Missa, eram apenados com a morte. É um mito a afirmação de que a prática da tortura foi uma arma católica na Inquisição. Janssen, um escritor desse período, cita uma testemunha que afirma:
"O teólogo protestante Meyfart descreve a tortura que ele mesmo presenciou: 'Um espanhol e um italiano foram os que sofreram esta bestialidade e brutalidade. Nos países católicos não se condena um assassino, um incestuoso ou um adúltero a mais de uma hora de tortura. Porém, na Alemanha [protestante] a tortura é mantida por um dia e uma noite inteira; às vezes, até por dois dias (...); outras vezes, até por quatro dias e, após isto, é novamente iniciada (...) Esta é uma história exata e horrível, que não pude presenciar sem também me estremecer".
O mesmo Janssem nos fornece este outro dado:
"Em Augsburgo, na Alemanha, no ano 1528, cerca de 170 anabatistas de ambos os sexos foram aprisionados por ordem do Poder Público. Muitos deles foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas bochechas ou suas línguas foram cortadas. [Ainda] em Augsburgo, no dia 18 de janeiro de 1537, o Conselho Municipal publicou um decreto em que se proibia o culto católico e se estabelecia o prazo de 8 dias para que os católicos abandonassem a cidade; ao término desse prazo, soldados passaram a perseguir os que não aceitaram a nova fé. Igrejas e mosteiros foram profanados, derrubando-lhes as imagens e os altares; o patrimônio artístico-cultural foi saqueado, queimado e destruído".
Frankfurt, também na Alemanha, emitiu uma lei semelhante e a total suspensão do culto católico foi estendida a todos os estados alemães (e depois se tacha a Igreja Católica de intransigente!).
- Em 1530, em seus "Comentários ao Salmo 80", Lutero aconselhava aos governantes que aplicassem a pena de morte a todos os hereges.
- No distrito de Thorgau (Suiça), um missionário zwingliano, liderando um bando protestante, saqueou, massacrou e destruiu o mosteiro local, inclusive a sua biblioteca e o acervo artístico-cultural.
- Erasmo [de Roterdan] ficou aterrorizado ao ver fiéis piedosos excitados por seus pregadores protestantes: "[Eles] saem da igreja como possessos [do demônio], com a ira e a raiva pintadas no rosto, como guerreiros animados por um general".
O mesmo Erasmo comenta em uma carta que escreveu para Pirkheimer: "Os ferreiros e operários arrancaram as pinturas das igrejas e lançaram insultos contra as imagens dos santos e até mesmo contra o crucifixo (...) Não restou nenhuma imagem nas igrejas nem nos mosteiros (...) Tudo o que podia ser queimado foi lançado ao fogo e o restante foi reduzido a cacos. Nada se salvou".
Assim, o Protestantismo destruiu parte do patrimônio cultural europeu, que era protegido e aumentado pelos monges e fiéis católicos.
- Na Zurique protestante, foi ordenada a retirada de todas as imagens religiosas, relíquias e enfeites das igrejas; até mesmo os órgãos foram supressos. A catedral ficou vazia como continua até hoje. Os católicos foram proibidos de ocupar cargos públicos; a assistência à Missa era castigada com uma multa na primeira vez e com penas mais severas nas reincidências.
- Em Leifein, no dia 4 de abril de 1525, 3.000 camponeses liderados por um ex-sacerdote [católico] tomaram a cidade, saquearam a igreja, assassinaram os católicos e realizaram sacrilégios sobre o altar, profanando os sacramentos de uma forma inenarrável.
- Um fato que pareceria nunca ter ocorrido - se não tivesse sido tão bem documentado - foi o "Saque de Roma". Até mesmo muitos católicos não sabem que tal fato aconteceu. O que foi o Saque de Roma? O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos do Renascimento. No dia 6 de maio de 1527, os membros das legiões luteranas do exército imperial de Carlos V promoveram um levante e tomaram de assalto a cidade de Roma. Cerca de 18.000 lansquenetes foram lançadas durante semanas contra a pior das repressões, ocasionando um rio de sangue costumeiramente "esquecido" pelos historiadores, que não lhe prestam a devida atenção.
Um texto veneziano [contemporâneo] afirma sobre este saque que: "o inferno não é nada quando comparado com a visão da Roma atual". Os soldados luteranos nomearam Lutero "papa de Roma"
. Eis mais alguns fatos [desse episódio] que a história de alguns "eruditos" se omite covardemente:
- Todos os doentes do Hospital do Espírito Santo foram massacrados em seus leitos.
- Dos 55.000 habitantes de Roma, sobreviveram apenas 19.000.
- O resgate foi da ordem de 10 milhões de ducados (uma soma astronômica naquela época).
- Os palácios foram destruídos por tiros de canhões com os seus habitantes dentro.
- Os crânios dos Apóstolos São João e Santo André serviram para os jogos [esportivos] das tropas.
- O rio [Tibre] carregou centenas de cadáveres de religiosas, leigas e crianças violentadas (muitas com lanças incrustadas em seu sexo).
- As igrejas, inclusive a Basílica de São Pedro, foram convertidas em estábulos e missas profanas com prostitutas divertiam a soldadesca.
- Gregóribo afirma a respeito: "Alguns soldados embriagados colocaram ornamentos sacerdotais em um asno e obrigaram a um sacerdote a conferir-lhe a comunhão. O pobre sacerdote engoliu a forma e seus algozes o mataram mediante terríveis tormentos".
- Conta o Pe. Mexia: "Depois disso, sem diferenciar o sagrado e o profano, toda a cidade foi roubada e saqueada, inexistindo qualquer casa ou templo que não foi roubado ou algum homem que não foi preso e solto apenas após o resgate".
- Erasmo de Roterdan escreve sobre este episódio: "Roma não era apenas a fortaleza da religião cristã, a sustentadora dos espíritos nobres e o mais sereno refúgio das musas; era também a mãe de todos os povos. Isto porque, para muitos, Roma era a mais querida, a mais doce, a mais benfeitora do que até seus próprios países. Na verdade, o saque de Roma não foi apenas a queda desta cidade, mas também de todo o mundo".
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte: http://www.fatima-apologetica.org/
Um ponto normalmente omitido é que os Protestantes também empreenderam uma Inquisição totalmente submissa ao Poder Político da época. Os historiadores geralmente se referem apenas à inquisição católica e se silenciam hipocritamente sobre os eventos ocorridos nos territórios protestantes.
Os primeiros protestantes não eram distinguidos por serem os "campeões da liberdade de opinião" como querem nos fazer crer.
Eles, que clamavam pela liberdade religiosa nos países católicos, em seus territórios suspendiam rapidamente a celebração da Missa e obrigavam os cidadãos, por lei, a assistir obrigatoriamente os cultos reformados; também destruíam os templos católicos e as imagens [sagradas], além de assassinarem bispos, sacerdotes e religiosos; foram muito mais radicais em seus territórios do que ocorreu nos territórios católicos.
Citaremos apenas alguns exemplos (já que [quase] todas as fontes pesquisadas apenas se referem à inquisição católica e nenhuma a [inquisição] protestante):
- Registre-se o massacre dos monges da Abadia de São Bernardo de Brémen, no séc. XVI: os monges foram assassinados ou desfolados, atirando-lhes sal na carne viva, sendo a seguir pendurados no campanário por bandos protestantes.
- Seis monges cartuxos e o bispo de Rochester, na Inglaterra protestante, foram enforcados em 1535.
- Henrique VIII mandou queimar milhares de católicos e anabatistas no séc. XVI (mas foi sua filha católica, Maria, que acabou recebendo o título de "Maria, a sanguinária"!).
- João Servet, o descobridor da circulação do sangue, foi queimado em Genebra, por ordem de Calvino (porém, é comum se recordar apenas do "caso Galileu", o qual NÃO foi justiçado!).
- Quando Henrique VIII iniciou a perseguição protestante contra os católicos, existiam mais de 1.000 (mil) monges dominicanos na Irlanda, dos quais apenas 02 (DOIS) sobreviveram à perseguição.
- Na época da imperadora protestante Isabel, cerca de 800 (oitocentos) católicos eram assassinados por ano.
- O historiador protestante Henry Hallam afirma: "A tortura e a execução dos jesuítas no reinado de Isabel Tudor foram caracterizadas pela selvageria e o dano [físico]".
- Um ato do Parlamento inglês decretou, em 1652, que: "Cada sacerdote romano deve ser pendurado, decapitado e esquartejado; a seguir, deve ser queimado e sua cabeça exposta em um poste em local público".
- Na Alemanha luterana, os anabatistas eram cozidos em sacos e atirados nos rios.
- Na Escócia presbiteriana de John Fox, durante um período de seis anos, foram queimadas mais de 1.000 (mil) mulheres acusadas de feitiçaria.
- Nas cidades conquistadas pelo "Protestantismo", os católicos tinham que abandoná-las, deixando nelas todas as suas posses ou então converter-se ao Protestantismo; se fossem descobertos celebrando a Missa, eram apenados com a morte. É um mito a afirmação de que a prática da tortura foi uma arma católica na Inquisição. Janssen, um escritor desse período, cita uma testemunha que afirma:
"O teólogo protestante Meyfart descreve a tortura que ele mesmo presenciou: 'Um espanhol e um italiano foram os que sofreram esta bestialidade e brutalidade. Nos países católicos não se condena um assassino, um incestuoso ou um adúltero a mais de uma hora de tortura. Porém, na Alemanha [protestante] a tortura é mantida por um dia e uma noite inteira; às vezes, até por dois dias (...); outras vezes, até por quatro dias e, após isto, é novamente iniciada (...) Esta é uma história exata e horrível, que não pude presenciar sem também me estremecer".
O mesmo Janssem nos fornece este outro dado:
"Em Augsburgo, na Alemanha, no ano 1528, cerca de 170 anabatistas de ambos os sexos foram aprisionados por ordem do Poder Público. Muitos deles foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas bochechas ou suas línguas foram cortadas. [Ainda] em Augsburgo, no dia 18 de janeiro de 1537, o Conselho Municipal publicou um decreto em que se proibia o culto católico e se estabelecia o prazo de 8 dias para que os católicos abandonassem a cidade; ao término desse prazo, soldados passaram a perseguir os que não aceitaram a nova fé. Igrejas e mosteiros foram profanados, derrubando-lhes as imagens e os altares; o patrimônio artístico-cultural foi saqueado, queimado e destruído".
Frankfurt, também na Alemanha, emitiu uma lei semelhante e a total suspensão do culto católico foi estendida a todos os estados alemães (e depois se tacha a Igreja Católica de intransigente!).
- Em 1530, em seus "Comentários ao Salmo 80", Lutero aconselhava aos governantes que aplicassem a pena de morte a todos os hereges.
- No distrito de Thorgau (Suiça), um missionário zwingliano, liderando um bando protestante, saqueou, massacrou e destruiu o mosteiro local, inclusive a sua biblioteca e o acervo artístico-cultural.
- Erasmo [de Roterdan] ficou aterrorizado ao ver fiéis piedosos excitados por seus pregadores protestantes: "[Eles] saem da igreja como possessos [do demônio], com a ira e a raiva pintadas no rosto, como guerreiros animados por um general".
O mesmo Erasmo comenta em uma carta que escreveu para Pirkheimer: "Os ferreiros e operários arrancaram as pinturas das igrejas e lançaram insultos contra as imagens dos santos e até mesmo contra o crucifixo (...) Não restou nenhuma imagem nas igrejas nem nos mosteiros (...) Tudo o que podia ser queimado foi lançado ao fogo e o restante foi reduzido a cacos. Nada se salvou".
Assim, o Protestantismo destruiu parte do patrimônio cultural europeu, que era protegido e aumentado pelos monges e fiéis católicos.
- Na Zurique protestante, foi ordenada a retirada de todas as imagens religiosas, relíquias e enfeites das igrejas; até mesmo os órgãos foram supressos. A catedral ficou vazia como continua até hoje. Os católicos foram proibidos de ocupar cargos públicos; a assistência à Missa era castigada com uma multa na primeira vez e com penas mais severas nas reincidências.
- Em Leifein, no dia 4 de abril de 1525, 3.000 camponeses liderados por um ex-sacerdote [católico] tomaram a cidade, saquearam a igreja, assassinaram os católicos e realizaram sacrilégios sobre o altar, profanando os sacramentos de uma forma inenarrável.
- Um fato que pareceria nunca ter ocorrido - se não tivesse sido tão bem documentado - foi o "Saque de Roma". Até mesmo muitos católicos não sabem que tal fato aconteceu. O que foi o Saque de Roma? O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos do Renascimento. No dia 6 de maio de 1527, os membros das legiões luteranas do exército imperial de Carlos V promoveram um levante e tomaram de assalto a cidade de Roma. Cerca de 18.000 lansquenetes foram lançadas durante semanas contra a pior das repressões, ocasionando um rio de sangue costumeiramente "esquecido" pelos historiadores, que não lhe prestam a devida atenção.
Um texto veneziano [contemporâneo] afirma sobre este saque que: "o inferno não é nada quando comparado com a visão da Roma atual". Os soldados luteranos nomearam Lutero "papa de Roma"
. Eis mais alguns fatos [desse episódio] que a história de alguns "eruditos" se omite covardemente:
- Todos os doentes do Hospital do Espírito Santo foram massacrados em seus leitos.
- Dos 55.000 habitantes de Roma, sobreviveram apenas 19.000.
- O resgate foi da ordem de 10 milhões de ducados (uma soma astronômica naquela época).
- Os palácios foram destruídos por tiros de canhões com os seus habitantes dentro.
- Os crânios dos Apóstolos São João e Santo André serviram para os jogos [esportivos] das tropas.
- O rio [Tibre] carregou centenas de cadáveres de religiosas, leigas e crianças violentadas (muitas com lanças incrustadas em seu sexo).
- As igrejas, inclusive a Basílica de São Pedro, foram convertidas em estábulos e missas profanas com prostitutas divertiam a soldadesca.
- Gregóribo afirma a respeito: "Alguns soldados embriagados colocaram ornamentos sacerdotais em um asno e obrigaram a um sacerdote a conferir-lhe a comunhão. O pobre sacerdote engoliu a forma e seus algozes o mataram mediante terríveis tormentos".
- Conta o Pe. Mexia: "Depois disso, sem diferenciar o sagrado e o profano, toda a cidade foi roubada e saqueada, inexistindo qualquer casa ou templo que não foi roubado ou algum homem que não foi preso e solto apenas após o resgate".
- Erasmo de Roterdan escreve sobre este episódio: "Roma não era apenas a fortaleza da religião cristã, a sustentadora dos espíritos nobres e o mais sereno refúgio das musas; era também a mãe de todos os povos. Isto porque, para muitos, Roma era a mais querida, a mais doce, a mais benfeitora do que até seus próprios países. Na verdade, o saque de Roma não foi apenas a queda desta cidade, mas também de todo o mundo".
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
As oito dimensões da cristofobia
Por seu interesse, publicamos o extrato do livro «Política sem Deus. Europa e América, o cubo e a catedral», de George Weigel, (Edições Cristandade), com permissão do editor.
Corresponde ao capítulo sobre a cristofobia, no qual George Weigel, conhecido por ser o biógrafo de João Paulo II («Testemunho de esperança»), recolhe a idéia do constitucionalista judeu Joseph Weiler acerca da censura atual frente ao cristianismo.
George Weigel é comentarista de temas religiosos da NBC e responsável da coluna semanal «The Catholic difference», que aparece em numerosos meios de comunicação nos Estados Unidos.
Antes de abordar esse problema, detenhamo-nos um momento no emprego provocativo que faz Weiler do termo «cristofobia». Quando afirma que a resistência a reconhecer as raízes cristãs do presente democrático da Europa é a expressão de uma cristofobia, o que quer dizer exatamente? Na realidade, faz referência a oito aspectos que, tomados em conjunto, constituem uma rede ideológica que, na opinião de Weiler, faz virtualmente impossível perceber --e muito menos, reconhecer-- a possibilidade de que as idéias, a ética e a história cristãs tenham alguma relação com uma Europa comprometida com os direitos humanos, com a democracia e com o império da lei.
1. O primeiro componente dessa cristofobia é a experiência do Holocausto no século XX e a convicção que se tem em círculos intelectuais e políticos europeus de que as atrocidades genocidas da shoah foram conseqüência lógica do antijudaísmo cristão que atravessa a história européia. Por conseguinte, uma Europa que grita «Nunca mais» ante a tragédia de Auschwitz e todas as outras, tem de dizer «Não!» à possibilidade de que o Cristianismo tenha algo a ver com uma Europa tolerante.
2. O segundo elemento --a enumeração de Weiler não segue uma ordem específica de gravidade-- é o que ele chama «mentalidade de 1968». A rebelião dos jovens contra a autoridade tradicional, que converteu o ano 1968 em um fenômeno de maior impacto na Europa que nos Estados Unidos (onde, nesse mesmo ano, se viveram os assassinatos de Martin Luther King Jr. e Robert F. Kennedy, vastas mobilizações urbanas, o colapso da presidência de Johnson e o caso Woodstock) continua hoje, de uma outra maneira, nos veteranos de 1968, que agora desfrutam de uma boa posição nos parlamentos europeus, nos governos, nas universidades, nos círculos literários e nos meios de comunicação. Parte dessa revolta de 1968 foi sua rebelião contra a tradicional identidade e consciência cristã da Europa. Completar 1968 através do processo de integração e constituição européia significa hoje levar a termo a supressão do Cristianismo, privando-o de sua posição relevante na vida pública européia.
3. O terceiro componente da cristofobia, segundo Weiler, está formado por um regresso ideológico e psicológico à revolução de 1989, na Europa Central e Oriental. Foi esta uma revolução não-violenta que contribuiu a estender a democracia na Europa mais que nenhum outro fenômeno desde a derrota de Hitler, e fruto de uma profunda e decisiva inspiração cristã. Seus principais promotores, o Papa João Paulo II, luteranos da antiga Alemanha Oriental, cristãos checos de várias denominações e católicos da Polônia e Checoslováquia, trabalharam lado a lado com antigos dissidentes políticos para depor o antigo regime e instaurar a democracia no império territorial de Stálin. Na opinião de Weiler, tratou-se de uma revolução pela democracia, em grande parte inspirada por cristãos e dirigida contra um hiper secularismo instalado na política do momento, concretamente no comunismo. O choque com a sensibilidade dos promotores da revolta de 1968, muitos dos quais não eram exatamente adeptos da causa anticomunista, foi bastante violento. A conseqüência foi uma negativa e somar-se à causa. E assim continua esse aspecto da cristofobia.
4. O quarto elemento da cristofobia européia contemporânea é mais abertamente político. Manifestou-se na continua quebra do papel dominante que até então haviam desempenhado os partidos políticos cristão-democratas na Europa do pós-guerra, e não só em países como Alemanha e Itália, onde os cristão-democratas tinham a maior parte dos votos, mas também na criação da Comunidade européia do Carvão e do Aço, logo no Mercado Comum, e finalmente na formação da Comunidade Européia. Anos de seca política, com os cristão-democratas em ascensão, e em combinação com um esquecimento deliberado de inspiração cristã do projeto europeu deixaram profundas cicatrizes na esquerda européia entre os fatores do secularismo. Tudo isso forma parte da cristofobia de hoje.
5. O quinto elemento é a tendência da Europa a enquadrar todas as realidades em categorias de «direita e esquerda», para logo identificar o Cristianismo com a direita, ou seja, com um partido que a esquerda define como xenófobo, racista, intolerante, fanático, estreito de visão, de corte nacionalista e tudo o que Europa não deveria ser.
6. A sexta fonte da cristofobia européia contemporânea é, na opinião de Josef Weiler, a rejeição da figura do Papa João Paulo II por parte dos secularistas e dos católicos dissidentes. O inegável papel do Papa em avivar a revolução da consciência, que fez possível a revolução política de 1989 na Europa Central, seu apoio à democracia na América Latina e na Ásia Ocidental, sua cerrada defesa da liberdade religiosa para todos, seu considerável impulso para reconstruir as relações entre católicos e judeus, sua oposição à guerra e ao aborto (por não mencionar sua enorme autoridade pessoal e sua grande popularidade entre os jovens), tudo isso encaixa dificilmente na linha de pós-modernidade que cobra cada dia mais força entre os partidários do secularismo e entre os católicos dissidentes. Estes insistem em que o Papa é, necessariamente, um personagem pré-moderno, do qual não se pode esperar nada sério que contribua ao futuro democrático da Europa. A alternativa, ou seja, o fato de que João Paulo II seja um homem completamente moderno que oferece outra leitura, talvez mais penetrante, da modernidade, não se pode sustentar em absoluto.
7. Em sétimo lugar, a cristofobia na Europa de hoje se alimenta de uma visão distorcida da história européia que (como sucede freqüentemente nos Estados Unidos) carrega o acento nas raízes do Iluminismo, que são as que alimentam o projeto democrático e ao mesmo tempo excluem virtualmente as raízes históricas e culturais da democracia na Europa cristã anterior ao Iluminismo. Tanto crentes como não-crentes interiorizaram essa meta-narração. De modo que, talvez, ninguém poderia admirar-se de que o projeto do preâmbulo à Constituição Européia abriria uma gigantesca brecha desde os gregos e romanos até Descartes e Kant, ao apresentar as fontes históricas da democracia européia contemporânea.
8. Finalmente, Weiler sugere que os filhos de 1968, agora em plena maturidade e já próximos da aposentadoria, sentem-se contrários e confusos pelo fato de que, em muitos casos, seus filhos se fizeram cristãos. Os que cresceram como cristãos, mas, ao final de sua adolescência ou em sua primeira juventude, rejeitaram a fé e a prática religiosa, estão perplexos e inclusive indignados pelo fato de que os filhos tenham voltado a Jesus Cristo e ao Cristianismo para encher o vazio de suas vidas. Por minha parte, depois de ter contemplado pessoalmente esse novo florescimento durante a viagem de João Paulo II a Paris em 1987, para participar da Jornada Mundial da Juventude, quando praticamente toda a França bem pensante se maravilhava da massiva presença de jovens católicos vindos de todas partes para celebrar em companhia de seu herói religioso sua fé recém-recuperada, inclino-me a pensar que neste ponto, como nos precedentes, Josef Weiler está certo. Mas sobre esta experiência voltarei mais adiante.
Fonte: Site Universo Católico - http://www.universocatolico.com.br/index.php?/as-oito-dimensoes-da-cristofobia.html
Corresponde ao capítulo sobre a cristofobia, no qual George Weigel, conhecido por ser o biógrafo de João Paulo II («Testemunho de esperança»), recolhe a idéia do constitucionalista judeu Joseph Weiler acerca da censura atual frente ao cristianismo.
George Weigel é comentarista de temas religiosos da NBC e responsável da coluna semanal «The Catholic difference», que aparece em numerosos meios de comunicação nos Estados Unidos.
Antes de abordar esse problema, detenhamo-nos um momento no emprego provocativo que faz Weiler do termo «cristofobia». Quando afirma que a resistência a reconhecer as raízes cristãs do presente democrático da Europa é a expressão de uma cristofobia, o que quer dizer exatamente? Na realidade, faz referência a oito aspectos que, tomados em conjunto, constituem uma rede ideológica que, na opinião de Weiler, faz virtualmente impossível perceber --e muito menos, reconhecer-- a possibilidade de que as idéias, a ética e a história cristãs tenham alguma relação com uma Europa comprometida com os direitos humanos, com a democracia e com o império da lei.
1. O primeiro componente dessa cristofobia é a experiência do Holocausto no século XX e a convicção que se tem em círculos intelectuais e políticos europeus de que as atrocidades genocidas da shoah foram conseqüência lógica do antijudaísmo cristão que atravessa a história européia. Por conseguinte, uma Europa que grita «Nunca mais» ante a tragédia de Auschwitz e todas as outras, tem de dizer «Não!» à possibilidade de que o Cristianismo tenha algo a ver com uma Europa tolerante.
2. O segundo elemento --a enumeração de Weiler não segue uma ordem específica de gravidade-- é o que ele chama «mentalidade de 1968». A rebelião dos jovens contra a autoridade tradicional, que converteu o ano 1968 em um fenômeno de maior impacto na Europa que nos Estados Unidos (onde, nesse mesmo ano, se viveram os assassinatos de Martin Luther King Jr. e Robert F. Kennedy, vastas mobilizações urbanas, o colapso da presidência de Johnson e o caso Woodstock) continua hoje, de uma outra maneira, nos veteranos de 1968, que agora desfrutam de uma boa posição nos parlamentos europeus, nos governos, nas universidades, nos círculos literários e nos meios de comunicação. Parte dessa revolta de 1968 foi sua rebelião contra a tradicional identidade e consciência cristã da Europa. Completar 1968 através do processo de integração e constituição européia significa hoje levar a termo a supressão do Cristianismo, privando-o de sua posição relevante na vida pública européia.
3. O terceiro componente da cristofobia, segundo Weiler, está formado por um regresso ideológico e psicológico à revolução de 1989, na Europa Central e Oriental. Foi esta uma revolução não-violenta que contribuiu a estender a democracia na Europa mais que nenhum outro fenômeno desde a derrota de Hitler, e fruto de uma profunda e decisiva inspiração cristã. Seus principais promotores, o Papa João Paulo II, luteranos da antiga Alemanha Oriental, cristãos checos de várias denominações e católicos da Polônia e Checoslováquia, trabalharam lado a lado com antigos dissidentes políticos para depor o antigo regime e instaurar a democracia no império territorial de Stálin. Na opinião de Weiler, tratou-se de uma revolução pela democracia, em grande parte inspirada por cristãos e dirigida contra um hiper secularismo instalado na política do momento, concretamente no comunismo. O choque com a sensibilidade dos promotores da revolta de 1968, muitos dos quais não eram exatamente adeptos da causa anticomunista, foi bastante violento. A conseqüência foi uma negativa e somar-se à causa. E assim continua esse aspecto da cristofobia.
4. O quarto elemento da cristofobia européia contemporânea é mais abertamente político. Manifestou-se na continua quebra do papel dominante que até então haviam desempenhado os partidos políticos cristão-democratas na Europa do pós-guerra, e não só em países como Alemanha e Itália, onde os cristão-democratas tinham a maior parte dos votos, mas também na criação da Comunidade européia do Carvão e do Aço, logo no Mercado Comum, e finalmente na formação da Comunidade Européia. Anos de seca política, com os cristão-democratas em ascensão, e em combinação com um esquecimento deliberado de inspiração cristã do projeto europeu deixaram profundas cicatrizes na esquerda européia entre os fatores do secularismo. Tudo isso forma parte da cristofobia de hoje.
5. O quinto elemento é a tendência da Europa a enquadrar todas as realidades em categorias de «direita e esquerda», para logo identificar o Cristianismo com a direita, ou seja, com um partido que a esquerda define como xenófobo, racista, intolerante, fanático, estreito de visão, de corte nacionalista e tudo o que Europa não deveria ser.
6. A sexta fonte da cristofobia européia contemporânea é, na opinião de Josef Weiler, a rejeição da figura do Papa João Paulo II por parte dos secularistas e dos católicos dissidentes. O inegável papel do Papa em avivar a revolução da consciência, que fez possível a revolução política de 1989 na Europa Central, seu apoio à democracia na América Latina e na Ásia Ocidental, sua cerrada defesa da liberdade religiosa para todos, seu considerável impulso para reconstruir as relações entre católicos e judeus, sua oposição à guerra e ao aborto (por não mencionar sua enorme autoridade pessoal e sua grande popularidade entre os jovens), tudo isso encaixa dificilmente na linha de pós-modernidade que cobra cada dia mais força entre os partidários do secularismo e entre os católicos dissidentes. Estes insistem em que o Papa é, necessariamente, um personagem pré-moderno, do qual não se pode esperar nada sério que contribua ao futuro democrático da Europa. A alternativa, ou seja, o fato de que João Paulo II seja um homem completamente moderno que oferece outra leitura, talvez mais penetrante, da modernidade, não se pode sustentar em absoluto.
7. Em sétimo lugar, a cristofobia na Europa de hoje se alimenta de uma visão distorcida da história européia que (como sucede freqüentemente nos Estados Unidos) carrega o acento nas raízes do Iluminismo, que são as que alimentam o projeto democrático e ao mesmo tempo excluem virtualmente as raízes históricas e culturais da democracia na Europa cristã anterior ao Iluminismo. Tanto crentes como não-crentes interiorizaram essa meta-narração. De modo que, talvez, ninguém poderia admirar-se de que o projeto do preâmbulo à Constituição Européia abriria uma gigantesca brecha desde os gregos e romanos até Descartes e Kant, ao apresentar as fontes históricas da democracia européia contemporânea.
8. Finalmente, Weiler sugere que os filhos de 1968, agora em plena maturidade e já próximos da aposentadoria, sentem-se contrários e confusos pelo fato de que, em muitos casos, seus filhos se fizeram cristãos. Os que cresceram como cristãos, mas, ao final de sua adolescência ou em sua primeira juventude, rejeitaram a fé e a prática religiosa, estão perplexos e inclusive indignados pelo fato de que os filhos tenham voltado a Jesus Cristo e ao Cristianismo para encher o vazio de suas vidas. Por minha parte, depois de ter contemplado pessoalmente esse novo florescimento durante a viagem de João Paulo II a Paris em 1987, para participar da Jornada Mundial da Juventude, quando praticamente toda a França bem pensante se maravilhava da massiva presença de jovens católicos vindos de todas partes para celebrar em companhia de seu herói religioso sua fé recém-recuperada, inclino-me a pensar que neste ponto, como nos precedentes, Josef Weiler está certo. Mas sobre esta experiência voltarei mais adiante.
Fonte: Site Universo Católico - http://www.universocatolico.com.br/index.php?/as-oito-dimensoes-da-cristofobia.html
Assinar:
Postagens (Atom)