sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As Devoções do Cristão

Não procurei, em vossas orações, as consolações de Deus, mas o Deus das consolações. (São Francisco de Sales)

Nossa suprema aspiração, nossa suprema felicidade é viver com Jesus e chegar a viver em plenitude com a Trindade, na mais perfeita união entre nós mesmos e com Deus.

As orações e devoções que aprendemos dentro da tradição de nosso povo são muito importantes e são uma excelencia base em que vamos aprendemos a expressar o que sentimos lá dentro do coração.

Pouco a pouco devemos chegamos chegar a uma oração que é vida, tão profunda quão profundo chega a ser o nosso viver. Uma oração que irá se confundindo com nossa história pessoal dentro do povo. Não podemos dissociar as realidades terrestres da dimensão divina. Desde que o "verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14)as realidades e situações mais humanas - dor, alegria, festa, trabalho, compromissos, lutas, valores... - tornaram-se também divinas. Deus está em tudo e se manifesta em tudo. Basta ter olhos de fé para contemplá-lo.

Rezar, certamente, não é repetir fórmulas. Antes de tudo, rezar é viver. Não é deixar a vida correr, mas viver intensamente com Deus e com os irmãos. Muitas vezes fomos submetidos a uma carga enorme de preces feitas por obrigação, que nos cansaram e, talves, hoje, nos dão sensação de vazio: fórmulas decoradas, rezas tradicionais, uma liturgia pouco entendida. As fórmulas, muitas vezes são necessárias, sobretudo quando, no diálogo com Deus, não sentimos as necessárias condições físicas e psicológicas. As fórmulas nos ajudam na concentração; são um meio. No entanto, fórmulas sem espírito são letras mortas.

Não podemos recorrer às fórmulas como se fossem mágicas, de onde esperamos efeitos garantidos. As fórmulas - as orações escritas que conhecemos - quase sempre brotaram de experiências pessoais muito ricas, que irmãos nossos viveram no seu relacionamento com Deus. As experiências dos irmãos podem também ajudar em nossa experiência de Deus. Entretanto, não podemos nos escravizar a elas ou delas depender para viver uma autêntica vida cristã.

Oxalá se cumpra em nossa oração pessoal e comunitária o desejo de São Francisco de Sales: Que não procuremos em nossas orações as consolações de Deus - aquilo que Ele tem para nos dar -, mas busquemos Ele mesmo, que é a grande consolação do coração humano. Somente ele pode preencher o vazio de homem moderno.

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