sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As Devoções do Cristão

Não procurei, em vossas orações, as consolações de Deus, mas o Deus das consolações. (São Francisco de Sales)

Nossa suprema aspiração, nossa suprema felicidade é viver com Jesus e chegar a viver em plenitude com a Trindade, na mais perfeita união entre nós mesmos e com Deus.

As orações e devoções que aprendemos dentro da tradição de nosso povo são muito importantes e são uma excelencia base em que vamos aprendemos a expressar o que sentimos lá dentro do coração.

Pouco a pouco devemos chegamos chegar a uma oração que é vida, tão profunda quão profundo chega a ser o nosso viver. Uma oração que irá se confundindo com nossa história pessoal dentro do povo. Não podemos dissociar as realidades terrestres da dimensão divina. Desde que o "verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14)as realidades e situações mais humanas - dor, alegria, festa, trabalho, compromissos, lutas, valores... - tornaram-se também divinas. Deus está em tudo e se manifesta em tudo. Basta ter olhos de fé para contemplá-lo.

Rezar, certamente, não é repetir fórmulas. Antes de tudo, rezar é viver. Não é deixar a vida correr, mas viver intensamente com Deus e com os irmãos. Muitas vezes fomos submetidos a uma carga enorme de preces feitas por obrigação, que nos cansaram e, talves, hoje, nos dão sensação de vazio: fórmulas decoradas, rezas tradicionais, uma liturgia pouco entendida. As fórmulas, muitas vezes são necessárias, sobretudo quando, no diálogo com Deus, não sentimos as necessárias condições físicas e psicológicas. As fórmulas nos ajudam na concentração; são um meio. No entanto, fórmulas sem espírito são letras mortas.

Não podemos recorrer às fórmulas como se fossem mágicas, de onde esperamos efeitos garantidos. As fórmulas - as orações escritas que conhecemos - quase sempre brotaram de experiências pessoais muito ricas, que irmãos nossos viveram no seu relacionamento com Deus. As experiências dos irmãos podem também ajudar em nossa experiência de Deus. Entretanto, não podemos nos escravizar a elas ou delas depender para viver uma autêntica vida cristã.

Oxalá se cumpra em nossa oração pessoal e comunitária o desejo de São Francisco de Sales: Que não procuremos em nossas orações as consolações de Deus - aquilo que Ele tem para nos dar -, mas busquemos Ele mesmo, que é a grande consolação do coração humano. Somente ele pode preencher o vazio de homem moderno.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A importância da oração na vida pública

Publicado por Marcia em 30/4/2008

Todo cristão que cultiva o hábito da oração pode testemunhar sua importância na vida cotidiana. Quando rezamos de modo correto, buscando a intimidade com Deus, permanecendo abertos a Ele, nos “conformando” em Cristo (no sentido de nos deixarmos moldar segundo seu plano de amor), a oração produz extraordinários resultados. E entre esses resultados sempre se inclui, certamente, uma orientação segura com vistas ao Bem.

Quem não tem tais preocupações, talvez creia que o bem seja uma questão de gosto e escolha pessoal. Decide sobre ele mais ou menos como seleciona uma gravata ou um perfume, desatento para o fato de que perfumes e gravatas são opções inconseqüentes, não-comparáveis com aquelas que influenciam nossas vidas e as vidas dos demais. Aquele que reza encontra o bem no Absoluto que é Deus, perante quem seus gostos se tornam relativos.

Ora, essa facilidade em identificar o Bem mediante a entrega livre, criativa e atuante ao plano de Deus (que considero entre as principais conseqüências da oração do cristão), resulta muitas vezes subestimada, mesmo entre os que têm o hábito de rezar. Será que fazemos isso, sempre, antes de tomarmos uma decisão importante, ou deixamos para rezar depois de agir, encarecendo a Deus que faça com que nossa decisão dê certo? Por outro lado, ao rezar antes da decisão, nos colocamos na atitude de quem busca apenas o bem, segundo a vontade de Deus, ou rezamos para que seja da vontade de Deus aquilo que consideramos como nosso bem?

Uma reflexão sincera sobre tais questões nos mostrará, talvez, com que freqüência o egoísmo nos leva a rezarmos não para Deus mas para nós mesmos. Quantas vezes os políticos lançam montanhas ao mar para poderem caminhar sobre planícies, desatentos aos moradores das encostas.

Tenho pensado muito sobre essa necessidade da oração quando se trata de identificar e construir o bem comum - objeto final da Política. A Doutrina Social da Igreja ensina que a finalidade da política é realizar o bem comum. Assim, “bem comum” é o nome do “bem” quando se trata da vida social; e a oração deveria ser prática corrente na vida do cristão atuante na vida pública, como forma de identificar o bem comum.

Como estamos longe disso, não é mesmo? E como seriam menos imperfeitas e injustas nossas realidades se aqueles que se dedicam às coisas públicas cultivassem o hábito da oração. E se os eleitores - evidentemente - também rezassem antes de deliberarem sobre seus votos!

Fonte: http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/smartsection/item.php?itemid=85

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Masturbação - Encontre a saída para este vício

A grande luta do jovem cristão é contra o vício da masturbação. A sua prática é bastante comum entre os rapazes e moças, que é um dos principais problemas enfrentados por eles.

Saiba, antes de tudo, que a masturbação não é indício de distúrbio de personalidade ou de problema mental. É um problema muito antigo na humanidade. O "Livro dos Mortos", dos egípcios, já a condenava por volta do ano 1550 antes de Cristo. Também de acordo com o Código Moral dos antigos judeus era considerado pecado grave.

Encontrei homens casados que continuavam a se masturbar, embora tivessem uma vida sexual regular com a esposa. Isso mostra que o vício da juventude continuou, e prejudica o casamento.

Embora as aulas de "educação sexual", muitas vezes, ensinem que a masturbação é normal, e até necessária, na verdade, é contra a natureza e contra a lei de Deus. Infelizmente, nessas aulas e cartilhas sobre o assunto, os alunos são aconselhados a não terem sentimentos de culpa, angústia ou ansiedade, e ensinam que não é prejudicial à saúde. Isso não é verdade, pois muitos médicos afirmam que ela é prejudicial ao jovem tanto fisicamente quanto psicologicamente.

A Igreja ensina que esta prática é um ato desordenado. Embora defendida por muitos como "algo normal", ela ensina que não:

"Na linha de uma tradição constante, tanto o magistério da Igreja como o senso moral dos fiéis afirmam sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseco e gravemente desordenado. Qualquer que seja o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das relações conjugais normais contradiz sua finalidade" (Catecismo da Igreja Católica, §2352).

Para lutar contra a masturbação é preciso se tomar várias atitudes:

1 - Tenha calma diante do problema.

Você não é nenhum desequilibrado sexual, nem impuro e nem uma prostituta em potencial. Assim como não é uma aberração porque se masturba. Enfrente o problema com calma e com fé.

2 - Corte todos os estimulantes do vício.

Jogue fora todas as revistas pornográficas, livros e filmes eróticos que você costumava ver. E não fique olhando para o corpo das moças ou dos rapazes, alimentando a sua mente com desejos eróticos. Deixe de assistir àqueles programas de TV que, cada vez mais, jogam "pólvora" no seu sangue. A TV é, hoje, um dos piores venenos para o jovem que luta contra a masturbação. E fuja dos "sites" eróticos da Internet.

3 - Faça um bom uso de suas horas de folga.

Aproveite o tempo para ler um bom livro, praticar esportes, sair com os amigos, caminhar, etc. Não fique sem fazer nada, especialmente na cama, pois "mente vazia é oficina do diabo".

4 - Não desanime nem se desespere nunca.

Lute diariamente contra a masturbação, mas se você cair, levante-se imediatamente, peça perdão a Deus de imediato, e retome o propósito de não pecar. Não fique pisando na sua alma e se condenando. Diga: "Está bem, eu errei, eu caí, aceito a minha queda humildemente, porque sou fraco; vou conseguir com a ajuda de Deus superar isso. Vou continuar lutando até me libertar definitivamente, mesmo que eu caia um milhão de vezes: não desistirei e não me desesperarei."

Jovem, Deus ama a nossa luta contra o pecado; a nossa vitória diante dele é mais a nossa perseverança na luta do que propriamente a vitória completa. Se confesse com o sacerdote; sempre que cair não tenha receio, ele te compreenderá, pois está cansado de ouvir isso.

5 - Alimente a sua alma com a oração, a Palavra de Deus e os Sacramentos da Igreja.

Há um ditado que diz: "Mosca não assenta em prato quente". Se você mantiver a sua alma aquecida com o calor do Espírito Santo, as "moscas" da tentação não vão perturbá-lo. Mas se o prato esfriar... Após uma queda no campo sexual, sempre fica claro que faltou "vigilância e oração" para não pecar. Muitas vezes, abusamos da nossa fraqueza e nos expomos diante do perigo... e caímos.

Há um outro provérbio que diz: "A ocasião faz o ladrão", ou ainda: "Quem ama o perigo nele perecerá". Na verdade, teremos de pedir mais perdão a Deus porque não vigiamos e não oramos, do que por ter caído no pecado propriamente. E lembre-se: a luta é mais importante do que a vitória.

Trecho do livro: "Jovem, levanta-te"

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Corpo já foi sagrado... Já foi...

As vezes fico assustado com certas coisas que vemos e escutamos em nossa vida. Tiremos, por exemplo, a televisão nossa de cada dia, mais exatamente nos horários noturnos e programas ditos “humorísticos” em geral.

Antes de mais nada, quero deixar claro que não tenho nada contra os atores e atrizes que os fazem, porém, me oponho ao modo de como os mesmo são utilizados.

Comecemos com os programas humorísticos. Alguém, por favor, com uma simples resposta, me diga onde se encontra a graça das piadas se retirarmos as mulheres seminuas das mesmas. Onde se encontra? Quem souber onde está a graça, me responda, por favor.

Vemos coisas assim em programas como Zorra Total, Casseta e Planeta, entre outros, onde se vulgariza, não somente em geral, mas a piada em si mesma se perde sem a presença de tais mulheres. Isso é simplesmente lamentável.

Passemos agora para os programas noturnos. É incrível o nível de “sensualidade explicita” inserido neles. Alias, não é nem necessário ser de noite. Basta ver de tarde, em qualquer programa de auditório, que contenha bailarinas. A quantidade de corpos semi-desnudos quase mostrando as partes mais sagradas que uma pessoa, mais particularmente uma mulher, com seus super decotes e com suas (mini) saias é simplesmente absurdo.

Agora, de volta ao mundo real. Observemos com atenção tanto a homens quanto a mulheres. De primeira, conseguimos observar o seguinte: Os homens babam por garotas como essas, olhando, desejando consumir aqueles(ou semelhantes aos seus, podendo ser qualquer outro) corpo sensual, desprovido de pouco ou nenhum pudor. As mulheres, por sua vez, querem ter, ou ainda, serem donas daqueles corpos, apenas, simplesmente, para serem desejadas pelos homens, ambos, sem querer saber de compromisso algum para com o outro, apenas pelo doce desejo edonista do prazer final que os domina.

Por um lado, elas desejam isso, por outro, as mesmas (contraditoria e ironicamente) querem ser respeitadas, sem quererem ser apenas objetos deles. Uma bela hipocrisia, a meu ver. Depois, reclamam que homens não prestam e coisa e tal, temos aquela velha história batida de sempre.

Entre homens, algumas vezes e em uma quantidade violentamente contrária, a história se repete, porém, não com a mesma dramaticidade contada por elas, justamente por eles saberem com o que querem.

Logicamente, sem querer cometer nenhuma injustiça, existem aquelas pessoas que já nasceram com tais corpos, agraciados por Deus, e que acabam tendo o mesmo destino (as pessoas, não seus corpos, quero dizer) de serem usados apenas como objetos das pessoas pertencentes a esta realidade social absurda.

Enfim, no final das contas, temos pessoas, em sua grande maioria, mulheres iludidas e infelizes com aquilo que vêm na realidade, comparado ao que realmente desejavam.

Vulgarizar algo como o nosso corpo é o mesmo que jogar tudo o que é sagrado no lixo. Pensar nestes assuntos, nestas coisas, como se pensa hoje em dia, é a desvalorização total e completa do ser humano. Recuperar estes valores para uma sociedade corrompida e imoral com a nossa, é praticamente impossível.

O sexo entre o homem e a mulher é a confirmação de que ambos estão unidos. A cerimônia do casamento, sacramento instituído pela Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, é a união oficial perante Deus, união esta indissolúvel e confirmada com o ato sexual, que, repito, é a união completa em um só corpo entre o homem e a mulher. Mas, infelizmente, nos dias de hoje, não vemos mais esta consciência. O Carnaval que o diga...

Sim este é o resultado de uma sociedade sem Deus, sem dogmas, tradição... Enfim, regras. O máximo que podemos fazer agora é rezar para que Deus tenha misericórdia de nós, os degradados filhos de Eva.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Cânon Bíblico

Quantas vezes você já ouviu de algum protestante a afirmação de que a Igreja Católica teria acrescentado vários livros apócrifos à Bíblia durante o Concílio de Trento, no séc. XVI? Quando eles falam isso, estão querendo se referir a sete livros do Antigo Testamento que não se encontram em suas bíblias: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e os dois livros dos Macabeus (além de alguns trechos dos livros de Daniel e Ester). Porém, a própria História - que é imutável - desmente tal argumento, vistos os testemunhos abaixo:

"Cânon 36 - Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos[1], dois livros dos Paralipômenos[2], Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão[3], doze livros dos Profetas[4], Isaías, Jeremias[5], Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos[7], um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo[8], uma do mesmo aos Hebreus[9], duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.[10] Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar[11]. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários[12]" (Concílio de Hipona, 08.Out.393).

"Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja" (Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).

"Tratemos agora sobre o que sente a Igreja Católica universal, bem como o que se dever ter como Sagradas Escrituras: um livro do Gênese, um livro do Êxodo, um livro do Levítico, um livro dos números, um livro do Deuteronômio; um livro de Josué, um livro dos Juízes, um livro de Rute; quatro livros dos Reis[13], dois dos Paralipômenos; um livro do Saltério; três livros de Salomão: um dos Provérbios, um do Eclesiastes e um do Cântico dos Cânticos; outros: um da Sabedoria, um do Eclesiástico. Um de Isaías, um de Jeremias com um de Baruc e mais suas Lamentações, um de Ezequiel, um de Daniel; um de Joel, um de Abdias, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias, um de Malaquias. Um de Jó, um de Tobias, um de Judite, um de Ester, dois de Esdras, dois dos Macabeus. Um evangelho segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas, um segundo João. [Epístolas:] a dos Romanos, uma; a dos Coríntios, duas; a dos Efésios, uma; a dos Tessalonicenses, duas; a dos Gálatas, uma; a dos Filipenses, uma; a dos Colossences, uma; a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filemon, uma; aos Hebreus, uma. Apocalipse de João apóstolo; um, Atos dos Apóstolos, um. [Outras epístolas:] de Pedro apóstolo, duas; de Tiago apóstolo, uma; de João apóstolo, uma; do outro João presbítero, duas[14]; de Judas, o zelota, uma. (Catálogo dos livros sagrados, composto durante o pontificado de São Dâmaso [366-384], no Concílio de Roma de 382)


"Quais os livros aceitos no cânon das Escrituras, o breve apêndice o mostra: Cinco livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Um livro de Josué, filho de Num; um livro dos Juízes; quatro livros dos Reinos; e Rute. Dezesseis livros dos Profetas; cinco livros de Salomão; o Saltério. Livros históricos: um de Jó, um de Tobias, um de Ester, um de Judite, dois dos Macabeus, dois de Esdras, dois dos Paralipômenos. Do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos; quatorze epístolas do apóstolo Paulo, três de João, duas de Pedro, uma de Judas, uma de Tiago; os Atos dos Apóstolos; e o Apocalipse de João" (papa Inocêncio I, 20.02.405; Carta "Consulenti Tibi" a Exupério, bispo de Tolosa).

"Devemos agora tratar das Escrituras Divinas. Vejamos o que a Igreja Católica universalmente aceita e o que deve ser evitado:[15] (1) Começa a ordem do Antigo Testamento: um livro da Gênese, um do Êxodo, um do Levítico, um dos Números, um do Deuteronômio, um de Josué (filho de Nun), um dos Juízes, um de Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, um livro de 150 Salmos, três livros de Salomão (um dos Provérbios, um do Eclesiastes, e um do Cântico dos Cânticos). Ainda um livro da Sabedoria e um do Eclesiástico. (2) A ordem dos Profetas: um livro de Isaías, um de Jeremias com Cinoth (isto é, as suas Lamentações), um livro de Ezequiel, um de Daniel, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Joel, um de Abdias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias e um de Malaquias. (3) A ordem dos livros históricos: um de Jó, um de Tobias, dois de Esdras, um de Ester, um de Judite e dois dos Macabeus. (4)A ordem das escrituras do Novo Testamento, que a Santa e Católica Igreja Romana aceita e venera são: quatro livros dos Evangelhos (um segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas e um segundo João). Ainda um livro dos Atos dos Apóstolos. As 14 epístolas de Paulo Apóstolo: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Efésios, duas aos Tessalonicenses, uma aos Gálatas, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon e uma aos Hebreus. Ainda um livro do Apocalipse de João. Ainda sete epístolas canônicas: duas do Apóstolo Pedro, uma do Apóstolo Tiago, uma de João Apóstolo, duas epístolas do outro João (presbítero) e uma de Judas Apóstolo (o zelota)" (papa S. Gelásio, ~495; Decreto Gelasiano; repetido em 520 pelo papa S. Hormisdas. Seguido também pelo Concílio Ecumênico de Florença15 [1438-1445], e novamente ratificado pelos Concílio de Trento[16] [1546-1563] e Vaticano I [1870])).

Outras Fontes:
Concílio Regional de Trulos, realizado no ano 692.

1 Trata-se dos dois livros de Samuel (1Rs/2Rs) e os dois livros de Reis (3Rs/4Rs).
2 Isto é, os dois livros das Crônicas (1Cr/2Cr).
3 Ou seja: Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.
4 A saber: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
5 Incluindo as "Lamentações" e "Baruc", segundo a Septuaginta.
6 Isto é, o livro de Esdras e o livro de Neemias.
7 Mateus, Marcos, Lucas e João.
8 Aos Romanos, duas aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, a Tito e a Filemon.
9 Curiosa distinção resultada, provavelmente, dos escrúpulos que a Igreja Africana tinha a respeito da autenticidade literária paulina dessa epístola.
10 Percebe-se, assim, que o cânon coincide perfeitamente com o cânon definido pelo Concílio de Trento.
11 Trata-se da Igreja de Roma.
12 Alusão ao culto dos santos mártires.
13 Os Concílios regionais de Cartago simplesmente repetem, com as mesmas palavras, o conteúdo do cânon 36 do Concílio regional de Hipona. A diferença está somente na conclusão.
14 Interessante distinção, já que antiquíssima tradição de Éfeso distinguia o João Apóstolo de um João Presbítero, da mesma região.
15 cf. Decreto "Pro Iacobitis" (da Bula "Cantate Domino", de 04.02.1441): "...O Sacrossanto Concílio professa que um e o mesmo Deus é o autor do Antigo e do Novo Testamento, isto é, da Lei, dos Profetas e do Evangelho, pois os santos de ambos os Testamentos falaram sob a inspiração do mesmo Espírito Santo. Este Concílio aceita e venera os seus livros que vêm indicados pelos títulos seguintes: Cinco livros de Moisés (isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Jó, o Saltério de Davi, as Parábolas (Provérbios), Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico, Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Daniel, os Doze Profetas menores (isto é, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias) e dois livros dos Macabeus. Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), catorze epístolas de Paulo (uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon, uma aos Hebreus), duas epístolas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas, os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse de João".
16 cf. Decreto sobre o Cânon (sessão IV, de 08.04.1546).

Fonte: Site "Veritatis Splendor"

domingo, 19 de julho de 2009

Evágrio Pôntico-séc.IV - Da Luxúria

A LUXÚRIA

Por Evágrio Pôntico

Tradução: Carlos Martins Nabeto

Fonte: VE Multimedios


II. A Luxúria

Capítulo 4


A moderação gera a regra, enquanto que a gula é a mãe do desenfreio; o óleo alimenta a luz da lamparina e o freqüentar mulheres atiça a chama do prazer.

A violência da onda se desencadeia contra o mercador mal ancorado, assim como o pensamento da luxúria [se desencadeia] sobre a mente do imoderado. A luxúria virá aliada à saciez, lhe concederá licença, se juntará aos adversários e combaterá, finalmente, do lado dos inimigos.

Permanece invunerável às flechas inimigas aquele que ama a tranqüilidade (1); ao contrário, aquele que se mistura com a multidão recebe golpes continuamente.

O olhar para uma mulher é semelhante a um dardo venenoso: fere a alma, nos injeta veneno e, quanto mais perdura, tanto mais espalha a infecção. Aquele que busca defender-se destas flechas se mantém alheio das multitudinárias reuniões públicas e não divaga com a boca aberta nos dias de festa; é muito melhor ficar em casa, passando o tempo orando, do que fazer a obra do inimigo, crendo honrar as festas.

Evita a intimidade com as mulheres se realmente desejas ser sábio e não lhes dê liberdade para falar-te, nem confiança. Com efeito, no início têm ou simulam uma certa cautela; porém, a seguir, ousam fazer tudo descaradamente: na primeira aproximação, mantêm olhar baixo, falam docemente, choram comovidas, tratam seriamente, suspiram com amargura, fazem perguntas sobre a castidade e escutam com atenção; na segunda vez, levantam um pouco mais a cabeça; na terceira vez, aproximam-se sem muito pudor; tu sorris e elas se põem a rir desaforadamente; a seguir, se embelezam e se te mostram com ostentação; seus olhares passam a anunciar o ardor, levantam as sobrancelhas e os olhos, desnudam o pescoço e abandonam todo o corpo à fraqueza, pronunciam frases abrandadas pela paixão e te dirigem uma voz fascinante ao ouvido até apoderarem-se por completo da [tua] alma.

Ocorre que estas ciladas te encaminham à morte e estas redes entrelaçadas te arrastam à perdição; portanto, não te deixes enganar sequer por aquelas que se servem de discursos discretos; nestas, com efeito, se oculta o maligno veneno das serpentes.

Capítulo 5

Aproxima-te antes do fogo ardente que de uma mulher jovem, sobretudo se também sois jovem; com efeito, quando te aproximas da chama e sentis um bom calor, te levantas rapidamente, enquanto que, quando sois seduzido pelas conversas femininas, dificilmente conseguireis fugir.

A erva cresce quando está cercada pela água; assim, germina a imoderação freqüentando as mulheres.

Aquele que enche o ventre e faz profissão de sabedoria se parece com alguém que afirma ser possível frear a força do fogo usando palha. Assim como efetivamente é impossível apagar a mutável agitação do fogo com a palha, também é impossível limitar na saciedade o ímpeto inflamado da imoderação.

Uma coluna se apóia sobre uma base e a paixão da luxúria tem sua base na saciez.

O navio, presa da tempestade, se apressa em chegar ao porto e a alma do sábio busca a solidão; um foge das ameaçadoras ondas do mar, e a outra, das formas femininas, que trazem dor e ruína.

Um belo rosto de mulher afunda mais que um maremoto; mesmo assim, este último te oferece a possibilidade de nadar, para que salveis a vida, enquanto que a beleza feminina traz o engano e te persuade a desprezar inclusive a própria vida.

A sarça solitária se subtrai intacta à chama e o sábio, que tem consciência que deve manter-se afastado das mulheres, não incinde na imoderação; assim como a lembrança do fogo não queima a mente, também nem sequer a paixão tem êxito se lhe falta a matéria.

Capítulo 6

Se tens piedade para com o inimigo, esta será sempre tua inimiga; e se facilitas à paixão, esta se te revelará.

Ver mulheres excita o imoderado, enquanto empurra o sábio a glorificar a Deus; porém, se no meio das mulheres a paixão é tranqüila, não dês crédito a quem te afirma terdes alcançado a paz interior.

O cão abana o rabo justamente quando está no meio da multidão, mas quando é espantado, mostra a sua maldade. Apenas quando a recordação da mulher surgir em ti separada da paixão, então poderás considerar-te próximo dos confins da sabedoria. Ao contrário, quando a imagem dela te levar a vê-la e os seus dardos cercarem a tua alma, então poderás considerar-te afastado da virtude.

Porém, não deves manter-te assim, nesses pensamentos, nem tua mente deve familiarizar-se muito com as formas femininas, pois a paixão será reincidente, levando perigo junto a si.

Efetivamente, assim como uma fundição apropriada purifica a prata, enquanto que, quando prolongada, a destrói facilmente, assim uma insistente fantasia com mulheres destrói a sabedoria adquirida; não tenhas, portanto, familiaridade prolongada com um rosto imaginado, para que não se lhe adiram as chamas do prazer e venham a queimar a auréola que circunda a tua alma; assim como a faísca próxima da palha desencadeia as chamas, assim a lembrança da mulher, persistindo, acende o desejo.

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Nota:

1. Refere-se à paz interior, à tranqüilidade de recolhimento ou solidão, no caso do monge.

Retirado e adaptado do Site Veritatis Splendor: PÔNTICO, Evágrio. Apostolado Veritatis Splendor: SOBRE OS OITO VÍCIOS CAPITAIS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/3790. Desde 15/03/2004.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Santo Apolonio - O Santo do dia 18 de abril, dia de meu aniversário

Era Senador, dando forte testemunho de santidade no meio político em que freqüentava. Santo Apolônio viveu no ano 180 e era muito culto, intelectual e eloqüente, por isso respeitado por muitos.

Mártir

Santo do século II, era uma figura pública, um senador. Pôde assistir e se deixar tocar pelo testemunho de inúmeros mártires no tempo de Nero.

Ele percebia naqueles cristãos, que viviam dentro de um contexto pagão, o único e verdadeiro Deus presente naqueles martírios por amor a Cristo.

Ele se converteu através dos testemunhos de romanos e mártires na luta pela fé. Amigo e instruído nas Sagradas Escrituras pelo Papa Eleutério, Apolônio recebeu o Batismo e começou a levar muitas pessoas para o Cristianismo.

Apolônio, como muitos, ao se deparar com a lei de Nero, teve que se dizer, pois também foi denunciado.

Ele não renunciou a Jesus, mesmo ocupando uma alta posição na sociedade. Seu amor a Deus foi concreto.

Diante das autoridades Apolônio confessou sua fé: "Eu sou cristão não só de palavras, mas de fato maior desejo é o de dar minha vida em testemunho da minha fé em Cristo". Após foi condenado e executado.

Santo Apolônio é exemplo, para que sejamos testemunhas do amor de Deus, onde quer que estejamos, na profissão que exerçamos, com a idade que tenhamos.



Santo Apolônio, rogai por nós!